Astrologia Ciências Antigas

A Astrologia como ferramenta de Autoconhecimento e Desenvolvimento Interior

Isabel Antunes
Escrito por Isabel Antunes

Desde sempre o Homem colocou os seus olhos atentos nos céus procurando entender os seus movimentos e as suas implicações nos acontecimentos da Terra. A Astrologia é pois o estudo da relação entre os fenómenos celestes e os eventos terrestres, segundo o princípio hermético “o que está em cima é como o que está em baixo”.

Parte-se do princípio que os acontecimentos da Terra (quer à escala individual quer à escala colectiva) espelham de forma simbólica a dinâmica apresentada nos céus. Desta forma, a partir do posicionamento dos símbolos celestes e sua interação podem fazer-se interpretações aplicáveis às vivências e eventos terrestres.

A palavra Astrologia tem origem grega e é composta por conhecimento ou estudo (logos) dos corpos celestes (astro).

A Astrologia é uma das mais antigas formas de conhecimento e durante muitos séculos foi considerada um dos principais ramos do Saber. A origem desta sabedoria milenar perde-se no tempo e remonta ao nascimento das civilizações humanas, deixando marcas em quase todo o mundo.


PUBLICIDADE


Ao longo dos séculos a Astrologia tem sido uma fonte de inspiração e alento para místicos, cientistas, poetas e artistas. De todas as épocas e culturas, tem sido uma referência para todos os que procuram descodificar o Universo e o sentido da Vida.

Astrologia Tradicional e Astrologia Moderna

A Astrologia Tradicional corresponde a todo o rico, precioso e abundante conhecimento e saber astrológico praticado desde a época helenística até ao final do século XVII.

Ao longo de muitos séculos a Astrologia Tradicional foi enriquecendo e aprofundando as suas técnicas e fundamentos, com bases em estruturas sólidas e perenes, atingindo mesmo um grande reconhecimento, renome e esplendor. No entanto a sua prática foi-se gradualmente enfraquecendo, por diversos motivos tais como a Inquisição, a Idade da Razão, e o sistema geocêntrico que contribuiu para o desacreditar da Astrologia, sendo praticamente inexistente no final do século XVII.

A Astrologia Tradicional começou a ser recuperada por volta de 1980, com a tradução e publicação de várias obras da época helenística e medieval, o que possibilitou reconectar com a verdadeira essência da Astrologia e verificar que a prática astrológica antiga era bem mais profunda, vasta e precisa que a prática contemporânea por si só. Desta forma é-nos possível efectuar interpretações astrológicas com uma maior exactidão, profundidade e detalhe possibilitando obter respostas mais concretas, completas e efectivas em qualquer área da experiência humana.

A Astrologia Moderna surge na segunda metade do século XIX com o emergir do revivalismo da espiritualidade no Ocidente e a consequente procura em recuperar conceitos, conhecimentos e saberes esotéricos antigos, entre eles a Astrologia. Contudo foi sobre bases incompletas e frágeis que a Astrologia Moderna se desenvolveu uma vez que nessa altura pouco se conhecia de todo o manancial de conhecimentos da Tradição Astrológica.

Embora a Astrologia Moderna tenha, ao longo das suas várias décadas de existência acrescentado novos e importantes conhecimentos, nomeadamente os planetas modernos (Urano Neptuno e Plutão), entre outros temas, falta-lhe uma série de informações, ferramentas e técnicas de grande relevância que ficaram perdidas no tempo.

Deste modo faz todo o sentido reunir, investigar e utilizar todo o rico e profundo conhecimento da Astrologia Tradicional associando-o ao melhor que a Astrologia Moderna tem para nos oferecer.

O Mapa Astrológico

A base de trabalho da Astrologia é o mapa astrológico, um diagrama que representa as posições planetárias do momento em estudo (por exemplo o nascimento de um bebé ou a inauguração de uma empresa). O mapa astrológico é uma representação simbólica do céu. É calculado para o momento e local do evento em estudo pelo que é necessário saber, com o máximo de precisão a data, a hora e o local do nascimento do referido acontecimento.

Em Astrologia Natal os signos do Zodíaco simbolizam as doze possíveis manifestações do arquétipo humano. Cada signo representa uma forma específica de expressão, de funcionamento e comportamento, está associado a dinâmicas pessoais e a processos evolutivos, com os seus desafios e as suas oportunidades. Por esse motivo nenhum signo é totalmente bom nem completamente mau e não há signos melhores ou piores que outros.

Apesar da sua riqueza e profundidade, apenas um signo por si só, não é suficiente para descrever um ser humano com toda a sua profundidade, complexidade e riqueza. A interpretação astrológica vai muito além do estudo do signo solar, tem em conta muitos outros corpos celestes tais como os planetas e as estrelas fixas, olhando todos os factores presentes num horóscopo como um todo dinâmico e integrado.

Os planetas são as peças fundamentais na Astrologia. Representam facetas da nossa personalidade, tipos de actividades, aspectos da consciência humana e estão associados às várias áreas de vida.

O Sol e a Lua são considerados o rei e a rainha dos céus, são designados de luminares ou luzes e assumem grande relevância na interpretação do mapa astrológico. O Sol simboliza a capacidade de autoconsciência do ser humano e o seu sentido de identidade, representa a radiância, a energia vital, o espírito, a dignidade e a nobreza, o princípio criador e é um símbolo do Divino. A Lua simboliza a vida emocional, as necessidades e carências emocionais, os mecanismos de defesa, a sensibilidade e receptividade, indica variedade, inconstância e mudança devido às suas fases e ciclos. Tal como o astro-rei, o Sol, a Lua é um símbolo de vida. Ela representa o processo cíclico de nascimento, crescimento e deterioração que o Sol alimenta com a sua energia vital.

As Casas Astrológicas, que surgem através da divisão do céu em doze partes, representam as diversas áreas de vida específicas, tais como a família, os relacionamentos amorosos, a carreira e imagem pública, os amigos, entre muitas outras. De todas as Casas Astrológicas a Casa I é a mais importante pois inicia com o Ascendente que está associado à linha do horizonte a partir do local de nascimento do indivíduo. O signo Ascendente corresponde literalmente ao signo que se estava a erguer nos céus, ou seja, a ascender no momento do nascimento do ser. O Ascendente, entre outras questões, representa e descreve, juntamente com outras componentes do mapa, o indivíduo, a sua aparência, a sua expressão imediata, os seus maneirismos, as motivações e objectivos.

Fernando Pessoa foi um dos mais proeminentes escritores do século XX tendo sido também um excelente astrólogo, com inúmeros textos de teor astrológico redigidos e centenas de horóscopos analisados na descoberta do interior dos outros.

De Sol em Gémeos (signo do elemento Ar e de modo Mutável ou Duplo) Pessoa caracterizava-se por ter uma natureza curiosa, intelectual, de grande versatilidade e com uma imensa sede e busca de conhecimento. Gémeos é um dos signos que se destaca neste mapa pois para além do Sol também Vénus, Plutão e Neptuno se encontram no mesmo signo realçando a espantosa actividade mental que possuía, a sua personalidade multifacetada, o grande interesse por conhecer e escrever sobre uma diversidade de temas, teorias e conceitos e a excelente capacidade de verbalizar e de transmitir aquilo que pretendia.

O  Ascendente em Escorpião (signo do elemento Água e de modo Fixo ou Sólido) conferiu-lhe uma postura introvertida, de uma profunda e intensa emocionalidade espelhada em inúmeros dos seus textos, um  perfil discreto, reservado  e enigmático, que sempre conservou, o que tornava a sua vida e o seu pensamento num mistério. Como ele dizia: “Repudiei sempre que me compreendessem.” Dos seus escritos ressalta a necessidade de investigar os subterrâneos da alma, de mergulhar fundo, talvez para tentar encontrar algo além da realidade ordinária, que apaziguasse a angústia que o atormentava. A conjunção de Lua e Saturno no Meio-do-Céu evidencia tais características, a melancolia que o caracterizava, bem como do seu lado solitário e reservado.

De salientar que os seus heterónimos foram criados tendo por base o mapa astrológico que o nosso poeta efectuou para cada um deles. É interessante verificar que se considerarmos o signo do Ascendente, signo este de grande importância numa interpretação astrológica, se encontra uma harmonia na atribuição de cada um dos quatro elementos (Fogo, Terra, Ar e Água) a Fernando Pessoa e aos seus três heterónimos principais. O signo Ascendente de Fernando Pessoa pertence ao elemento Água; Alberto Caeiro ao elemento Fogo; Álvaro de Campos ao elemento Terra e Ricardo Reis ao elemento Ar. Acrescenta-se mais um factor curioso que todos os horóscopos dos heterónimos de Pessoa apresentam, tal como no mapa astrológico dele mesmo, Mercúrio, o planeta associado à aprendizagem, comunicação, conhecimento, literatura e também ao estabelecimento de pontes e elos de ligação, está na Casa astrológica VIII, casa que simboliza, entre outras questões, o oculto e segundo o nosso poeta “a do mundo astral”, interpretando nós como sendo esta uma possível tentativa de criação de uma “ligação astral” entre ele e os seus heterónimos.

mapa_fernandopessoa


Desenvolvimento Interior

Na sua faceta mais nobre e elevada a Astrologia permite-nos interpretar a Vontade do Divino, manifestada através das dinâmicas celestes.

A Astrologia é uma chave simbólica para o entendimento do Universo e dos seus ciclos. Dá-nos uma compreensão mais abrangente dos desafios e processos de transformação, tanto a nível pessoal como colectivo. A linguagem astrológica dá corpo à componente profunda e transcendente da vida, oferecendo o essencial contraponto ao pensamento imediatista, tão comum nos nossos tempos.

Quando aplicada ao indivíduo, a Astrologia pode ser considerada como uma poderosa ferramenta de crescimento e desenvolvimento interior. A sua linguagem intemporal ajuda cada ser a conhecer o seu propósito, facilitando a sua integração na sociedade e no mundo.
A Astrologia contribui para o aumento da autoconsciência e concede uma profunda compreensão e entendimento sobre o ser humano e o seu lugar no Universo. Este aumento de consciência pode constituir uma valiosa e preciosa ajuda para clarificar qualquer situação de vida. Contribui para um processo de crescimento interior, ajudando a entender as dinâmicas de vida, as motivações e necessidades internas, os padrões de comportamento, o propósito de vida e os objectivos de cada indivíduo. Desta forma a Astrologia ajuda a criar condições para que cada pessoa compreenda melhor a sua situação e dinâmicas de vida e, com base nessa compreensão, tome decisões mais eficazes e esclarecidas.

Numa perspectiva de desenvolvimento espiritual, a análise astrológica aponta caminhos, sugere linhas de transformação e marca as etapas de cada percurso impulsionando o alargamento da consciência e facilitando o percurso evolutivo de cada ser.

A nível colectivo, o estudo da Astrologia traz-nos uma melhor compreensão da natureza cíclica das sociedades e civilizações, bem como dos desafios de cada época e da sua relação com o plano de desenvolvimento da Humanidade.

Podemos comparar o mapa natal a uma caixa de ferramentas que cada indivíduo vai aprendendo a utilizar ao longo da vida. Cada pessoa tem as suas ferramentas específicas, correspondendo a cada ferramenta um determinado tipo de aprendizagem, de desafios e de oportunidades. A Astrologia pode indicar-nos com clareza as ferramentas e sugerir formas construtivas e edificantes de as usar. Contudo compete sempre e só a cada indivíduo decidir o que quer fazer com todo o seu potencial, oportunidades e propostas de evolução.

Por Isabel Antunes

Sobre o autor

Isabel Antunes

Isabel Antunes

Isabel Antunes licenciou-se em Economia pela Universidade Nova de Lisboa em 1997 e trabalhou como supervisora de intermediários financeiros na Comissão de Mercados de Valores Mobiliários durante 7 anos. Realizou inúmeras reuniões de trabalho e de formação profissional na Europa e América, de onde se destaca a representação de Portugal em Montreal, no Canadá, num encontro com todas as congéneres mundiais, organizada pela OIVC-IOSCO – International Organization of Securities Commissions e a colaboração profissional, em 1999, na congénere italiana – CONSOB – Commissione Nazionale per la Societá e la Borsa, em Itália. O seu interesse pela astrologia surge em 1991 e desde então iniciou o estudo deste conhecimento do saber humano, bem como, de técnicas de transformação e desenvolvimento pessoal, nomeadamente de Programação Neuro-Linguística e Visualização Criativa, frequentando diversos cursos e workshops. Em 1999 ingressou na Escola de Astrologia Integrada, hoje denominada de Academia de Estudos Astrológicos. Paralelamente realizou diversas formações adicionais em várias vertentes e ramos da Astrologia com diversos astrólogos portugueses e estrangeiros. Em 2004 finalizou o curso de Astrologia Horária The Foundation Course of Traditional Horary Astrology leccionado por Susan Ward e organizou o One World Summer Festival, em Inglaterra. Criou o Espaço Anima, espaço de formação e consultoria em áreas de desenvolvimento pessoal, fundou a Associação Portuguesa de Desenvolvimento Pessoal e dedicou-se exclusivamente à consultoria e investigação em Astrologia. Diplomou-se em Hipnose Clínica pelo London College of Clinical Hypnosis (L.C.C.H.), em 2006, tendo sido, no mesmo ano, convidada a colaborar no L.C.C.H. Portugal como professora, tutora e supervisora dos cursos de Hipnose Clínica, que continua a exercer. Encontra-se a leccionar, desde 2007, o Curso de Astrologia que criou e que tem como pilares a Astrologia Tradicional, Humanista e Psicológica. Tem realizado diversas palestras sobre vários temas astrológicos em eventos e tem colaborado com algumas revistas escrevendo diversos artigos sobre temas ligados à Astrologia, Hipnose Clínica e Psicologia. A sua investigação actual assenta na pesquisa de técnicas astrológicas e psicológicas inovadoras que permitam uma optimização do desempenho do ser humano, em qualquer área de vida, rumo a uma maior realização, enriquecimento e êxito pessoal.

Deixe um comentário