Maçonaria Vias Iniciáticas

Alquimia na Maçonaria – VITRIOL

Esoterismo DeMolay
Escrito por Esoterismo DeMolay

“Quando a mente do homem começa a entender a ordem e a relação de tais impressões de sentido, ele passa da escuridão da ignorância para a luz branca da sabedoria. (…) Para fazer isso ele deve, dentro de si mesmo, possuir o divino dom do desejo do saber; pois é através dessa faculdade que ele se eleva acima das preocupações da vida. O homem cuja curiosidade o leva a contemplação da manifestação à contemplação das suas causas é aquele cujos instintos o estão preparando para empreender a Grande Obra.” – Por S.S.D.D.

alq1Alguns já perguntarem e outros ainda devem estar se perguntando o motivo de escrevermos sobre Maçonaria e seu simbolismo em um blog dedicado a DeMolays. Responderei tal pergunta com um exemplo que presenciei. Certo dia num diálogo entre maçons surge o tema sobre a Alquimia, e após um estudioso Irmão explicar o tema, outro Irmão pertencente ao Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito banaliza completamente o diálogo dizendo “Isso não é Maçonaria! Maçonaria nada tem de Alquimia!” e continuou sua repressão sem nenhum fundamento, apenas demonstrou aversão ao conhecimento. E isso, infelizmente, é mais comum do que se imagina.

A questão é, tudo bem quando um Irmão não gosta ou não é a favor do esoterismo, afinal nada o obriga a conhecer, estudar ou aceitar isso. Mas o querer reprimir o estudo e prática do esoterismo, ignorando a própria história da Maçonaria que foi criada em um meio hermético, por desconhecimento e ignorância, é outra questão.

Portanto escrevemos e ensinamos sobre Maçonaria aos DeMolays pois estes serão os futuros Maçons, e temos o propósito de auxiliar na mudança da Maçonaria para torna-la o que ela nasceu para ser: um agrupamento de homens em busca da realização da Grande Obra. Escrevemos aos DeMolays e Maçons que possuem esse desejo do saber citado no trecho acima.

SIGNIFICADO DO VITRIOL

A história da Maçonaria é complexa e em breve tentaremos destrinchar ela de maneira clara e simples aos leitores, pois seus símbolos de origem da Alquimia e da Kabbalah podem ser explicados através da sua história.

O objetivo da Maçonaria é demonstrado claramente ao neófito que tem o contato com a Ordem pela primeira vez: realização da Grande Obra. Esse objetivo é expresso através da fórmula alquímica conhecida como VITRIOL.

Juntamente com o “o que está em cima é como o que está abaixo”, o VITRIOL é talvez o mais famoso axioma hermético.
Este axioma é utilizado de duas maneiras no antigos textos de alquimia, uma delas já mostramos acima e a outra é VITRIOLUM. No caso do VITRIOL são as iniciais de “Visita interiore terrae rectificando invenies occultum lapidem”, já o VITRIOLUM é semelhante mas terminando com “universalem medicinam“.

Significam: “Visite o interior da terra, retificando-se, encontrarás a Pedra Oculta”, e a outra faz a referência a “Pedra Oculta” como sendo também a chave para a “Medicina Universal” ou a “verdadeira medicina”. A fórmula mais comum é a VITRIOL.

Primeiramente devemos esclarecer que não são todos os Ritos e Rituais da Maçonaria tem as tradições aqui citadas e a que aqui estamos tratando. Aqui lidamos com os ritos esotéricos, o que é conhecido como Maçonaria Escocesa, que compõe Ritos como o REAA, RER, Adomhiramita, entre muitos outros existentes e já extintos.

Vamos analisar por partes.

É uma palavra composta por 7 letras do alfabeto latim devido ao próprio significado desse número na alquimia, pois toda a Obra se desenvolve na operação dos 7 metais e dos 7 planetas.

alq2Esse axioma é uma referência direta aos antigos mistérios – alquimia, kabbalah, hermetismo – e também é a porta da espiritualidade maçônica. O maçom é chamado a conhecer e praticar os antigos mistérios, despertando seu lado espiritual, a buscar e contemplar os motivos da sua existência. É chamado a tornar-se um cientista em sua própria vida, a transmutar o que há de defeitos em virtudes, enterrar os vícios e se erguer em virtudes.

As três primeiras palavras, “visita interiore terrae”, dizem respeito ao conhecer o que está em seu interior. É a primeira fase da alquimia, chamada Putrefação, onde as carnes são separadas dos ossos acontecendo a morte do maçom. Significa que as aparências são deixadas de lado, devemos buscar o que está no interior, o que está oculto. Por esse motivo outro símbolo que acompanha a fase da putrefação é o negro, a escuridão, representação de um local do oculto que devemos encarar e descobrir dentro de nós. Mais sobre o tema pode ser lido aqui: Iniciação – Hermetismo e Alquimia.

No centro do axioma temos a palavra “rectificando”. Assim como não é coincidência termos 7 palavras, não é por acaso que esta se encontra no centro. Retificar significa “fazer reto”, do latim rectus + facĕre, é uma referência direta ao simbolismo do Esquadro. Quando dizemos que “estamos esquadrando” dizemos que estamos corrigindo os erros, tirando o que não é necessário e deixando o essencial, se livrando do que é ruim e ficando com o bom, etc. É o que um pedreiro faz em uma pedra bruta quando esquadra suas arejas. Esquadra a pedra bruta para torna-la cúbica, deixando-a perfeita para ser utilizada em uma obra.

As três ultimas palavras “invenies occultum lapidem” refere-se a essência do nosso ser. Após termos arrancado a carne dos ossos para descobrirmos o que é necessário em nós e o que não o é, e termos retificado todo o encontrado, chegamos a recompensa: a Pedra Oculta.

Essa Pedra Oculta é também outro nome para a “Pedra Filosofal” tão procurada pelos Alquimistas. Ou seja, é algo que existe dentro de nós, e não no exterior. A transmutação alquímica, o lapidar da pedra bruta, o retificar, são sinônimos para uma total reestrutura espiritual, mental e física.

Na maçonaria, o processo de retificação é chamado também de Arte Real, cujo o objetivo final é a realização da Grande Obra. A Grande Obra é o resultado da Arte Real, quando alcançamos a verdadeira e livre espiritualidade, quando nos comunicamos conscientemente com a centelha divina interior (achamos a Pedra Oculta).

Somos convidados a escrever nosso testamento e presenciar a própria morte cada vez que desejamos penetrar no nosso interior e nos retificar. Isso é, reconhecer o que nos prende aos vícios e morrer para essas atitudes.

Portanto, vemos no VITRIOL, um chamado ao conhecimento das coisas existentes na Terra, no Universo e dentro de nós mesmos. Iniciado é aquele que penetra e vivencia esses mistérios, e não aquele que somente passou pelo ritual de iniciação.

ORIGEM DO VITRIOL

Anteriormente no texto Astrologia para DeMolays e Maçons, citamos que “muito das ciências herméticas da antiguidade foram preservadas e chegaram até nós por outro caminho: pelos Islamismo”, porém não demos nenhum exemplo.

Para resgatarmos a origem do VITRIOL alquímico, devemos recorrer aos místicos sufis.

alq3Abu Musa Jabir Ibn Hayyan, mais simplesmente Jabir ou Geber, viveu entre 721 e 815 d.C, é considerado o pai da química árabe. Relembrando que não havia uma separação entre a química e alquimia, ambas eram uma só ciência que tinha o objetivo de descobrir os segredos da manifestação da natureza através da experimentação. Além de químico foi astrônomo, engenheiro, físico, filósofo e farmacêutico.

Suas obras foram escritas através de códigos, somente aqueles iniciados nos conhecimentos da alquimia poderiam interpretar as descobertas e experimentações do autor. Graças a Jabir as portas da química foram abertas de maneira surpreendente, criou aparelhos de laboratório, métodos para estudos de diversas substâncias, decifrou o funcionamento dos metais. Muitos dos seus métodos, aparelhos e descobertas são utilizados da mesma maneira ainda hoje.

Seu principal objetivo era o takwin, termo árabe para descobrir o segredo da criação e o funcionamento da vida. Jabir tentou criar a vida em laboratório para poder compreender o mistério maior da Criação. Escreveu também o método de criação da al-iksir que daria longa vida e sabedoria ao alquimista e transmutaria os metais. Al-iksir recebe o nome latim lapis philosophorum com a tradução dos textos árabes para o latim.

Foi encontrado no meio dos textos de Jabir a versão mais antiga que se conhece da tão importante Tábuas de Esmeralda.

Infelizmente a alquimia árabe é pouco explorada pelos estudiosos.

Jabir é relembrado pela ciência até hoje por ter criado o ácido sulfúrico que recebeu o nome de Zayt al-Zaj, mas que foi traduzido ao latim como “óleo de vitriol” por Alberto Magno. Este, como um grande alquimista, decifrou e explicou em sua obra o significado do VITRIOL.

O ácido sulfúrico tem como principal átomo o Enxofre, que representa na alquimia o princípio corroedor dos metais, aquele de destrói, mata, transforma, para algo novo ser criado.

Devido a explicação que demos sobre o significado do VITRIOL e agora do enxofre, você deve entender o porque Alberto Magno ter atribuído esse nome ao ácido sulfúrico.

Em sua obra Alberto Magno explica ainda que o VITRIOL é “um mineral de uma tal e tão bela graduação que seja limpo e puro, que se chama, como te disse, vitriol”. Ou seja, um metal puro que é também a essência do nosso ser.

Por isso vemos na Europa em alguns símbolos da maçonaria uma estranha fórmula molecular, como na imagem abaixo. É a fórmula molecular do ácido sulfúrico, ou vitriol. Somente os entendedores entenderão!

alq4

“Visite o interior da terra, retificando-se, encontrarás a Pedra Oculta”, ou VITRIOL – código criado por Jabir Ibn, decifrado por Alberto Magno, utilizado pelos pedreiros alquimistas medievais e herdado pela Maçonaria Escocesa.

Hamal∴
Publicado no Blog “Esoterismo DeMolay”, em Setembro de 2014


Sobre o autor

Esoterismo DeMolay

Esoterismo DeMolay

O Blog "Esoterismo DeMolay" visa trazer um conceito sobre os rituais e ensinamentos da Ordem DeMolay e da Ordem Maçônicas ainda não muito abordados, e muito rejeitados. Não teremos medo em ir distante no tempo e trazer comparações que perturbam o conceito de muitos. Quanto mais for exercida a Liberdade, mais conseguiremos progredir nos caminhos da Ordem DeMolay e da Maçonaria. A Ordem DeMolay por si só já é completa, e traz em si um legado milenar. Tal qual acontece com a Maçonaria. Vamos aprofundar no esoterismo que essas duas Ordens nos proporcionam, para que assim os Irmãos que se interessam e trilham esse caminho, alcançarem conscientemente seu Altar, seu sanctum sanctorum, que é o objetivo de todo Iniciado. Todos os textos são de autoria para o Projeto Esoterismo DeMolay, que é independente de qualquer subordinação Maçônica ou DeMolay, livre para uso e estudo de todos aqueles que se identificarem. Só pedimos que deixem os devidos créditos e referências caso queiram levar os textos a outros lugares.

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.