Ciências Antigas Tarot

Como funciona o Tarot?

Mário Portela
Escrito por Mário Portela

Como funciona o tarot, como podem umas cartas contar uma história tão exacta e condizente com a realidade?

Muitos argumentariam sobre não existirem milagres, e eu pessoalmente nem os irei contradizer… mas acrescentaria que o milagre está nos olhos de quem vê! Assim, não há explicações milagrosas ou certeiras quanto ao porquê de o tarot espantosamente funcionar. Quantos de nós sabem exactamente como funcionam os ventos, e continuam a acreditar na sua existência? «Porque os sentem», pode ser provavelmente a resposta do céptico, mas também o tarósofo sente a mensagem do tarot!

Cada tarósofo, ao longo da sua experiência, chega às suas próprias explicações e não necessitam de ser necessariamente metafísicas e para não deixar a questão com esta sensação de falta de resposta posso adiantar a minha versão, que não é melhor do que qualquer outra. Utilizo frequentemente uma de duas explicações, mediante o tipo de resposta esperado ou o tipo de público-alvo. São, como outras, duas explicações plausíveis para o funcionamento do tarot uma mais do foro ‘científico’ e outra do foro místico.

Do ponto de vista ‘científico’, assumamos, por uma questão de explicação, que possui um problema ou situação sobre a qual está a entrar em conflito. Aceitemos a premissa que poucas são as pessoas que procuram a ajuda de um método oracular quando a vida corre bem (a não ser em raras ocasiões menos importantes para este exemplo). Lembre-se que um tarot possui as mesmas 78 cartas que qualquer outro baralho de tarot. Todos os verdadeiros baralhos de tarot têm os mesmos arcanos, os mesmos naipes e seguem a mesma ordem simbólica, podendo ter diferenças mínimas geralmente do ponto de vista artístico ou temático. Assim, é o mesmo que dizer que se consegue ler correctamente um baralho então conseguirá eventualmente fazer o mesmo com qualquer outro.


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Com toda esta informação acima, chega ao Tarot com um problema em mente que até já lhe tira o sono e está a stressar a um ponto que já compôs mentalmente um sem número de cenários de resolução e estratégias. Mas, por alguma razão, viu-se incapaz de chegar a uma conclusão ou tomar qualquer passo que lhe aliviasse o problema. Provavelmente o problema parece demasiado complexo já e possui imensos factores e variáveis. É então que procura um oráculo de tarot.

aliceImagine que as 78 cartas estão a rodar à volta da cabeça, num movimento circular tipo um grande carrossel. O movimento torna impossível ver as cartas, apenas as traseiras das cartas são visíveis e sendo assim são todas do mesmo tamanho, cor e configuração aos seus olhos. Mesmo assim, imagine que quer ir mais longe na aleatoriedade e fecha os olhos, conta até dez e agarra uma carta completamente à sorte, ao acaso… aleatória!

Após ‘estudar’ a carta e reflectir fica em espanto por perceber que o conceito da carta aplica-se precisamente ao seu problema. como a tiragem da carta não podia ser mais aleatória – ou assim lhe parece – pergunta-se como isto pode ser possível.

Para começar, explica o ramo da psicologia (C. Jung por exemplo, entre muitos outros), as 78 cartas de tarot representam uma componente específica da ‘psique’ humana ao longo dos tempos. Cada conceito foi projectado e refinado ao longo de séculos (milénios talvez) e como resultado cada carta pode ser descrita num par de palavras, numa frase, num parágrafo ou num livro inteiro. Cada carta é ao mesmo tempo precisa e dispersa ou objectiva e subjectiva.

Vamos supor que o conceito que tirou do carrossel se refere a ‘amor’. Muitas coisas lhe vêm à cabeça se pensar em ‘amor’, não fosse este uma das temáticas principais da vida humana. A carta que tirou sobre ‘amor’ dá-lhe uma espécie de direcção conceptual que orienta directamente a uma eventual resolução do seu problema… independentemente de qual for o seu problema o ‘amor’ vai ser a solução e amar é a sua resposta. Concentrar-se no amor, de alguma forma, irá terminar a hecatombe de cenários caóticos que tinha na cabeça para resolver o seu problema. Agora pode concentrar-se. O amor provou ser o caminho que deve analisar. Na SUA imaginação, interpreta a carta, e é a SUA mente que decide como o amor se aplica ao seu problema. É o SEU EU que determina a importância da resposta e na SUA cabeça a resposta adequa-se como uma luva e à medida que aplica a resposta ao problema nota como assenta como uma luva! O amor, neste caso, torna-se o princípio básico para a sua próxima decisão.

Então e se tivesse tirado outra carta? É suficiente perceber que qualquer que fosse a carta, a sua análise iria permitir concentração, foco, a eliminação da mencionada hecatombe de hipóteses que tinha na cabeça. A forma como o tarot foi perfeitamente conceptualizado, permite-lhe que entre em foco e se concentre num caminho específico. Tudo isto porque tirar uma qualquer carta, numa qualquer maneira, irá limitar a infinidade de hipóteses que ecoam na mente providenciando uma tábua de salvação, um ponto de partida e desatando o nó mental através do foco e concentração.

«Qualquer carta de tarot se aplica igualmente a qualquer problema ou situação humana!»

Cada carta dá um ângulo diferente de visão sobre uma determinada questão como quando um fotógrafo decide fazer um retrato a alguém mas de ângulos diferentes, apanhando sempre o mesmo indivíduo mas diferentes cenários ou luminosidades. Alguns ângulos serão certamente mais agradáveis do que outros, mas todos serão igualmente reais e válidos.
As cartas de tarot são como 78 diferentes miradouros com vista para a sua vida.

Nesta ordem de ideias se fizer uma tiragem de 3 cartas onde a primeira representa o passado, a segunda o presente e a terceira o futuro, não interessa realmente que cartas saem nem onde, pois todas estarão correctas. O que interessa é o quanto isso vai provocar o SEU EU a reagir após reflexão sobre aquele ângulo de análise! É com base nesta explicação que no passado, e cada vez mais, estudiosos de psicologia e comportamento humano utilizam cartas de tarot para agrupar a psicologia colectiva do ser humano ao longo do tempo e criar os arquétipos de análise psicológica.

Claro que esta não é a minha explicação, mas é provavelmente a mais válida para explicar a uma grande maioria que atrás de um baralho de tarot não está uma velha com uma bola de cristal, um gato preto e um nome francês… e se estiver está apenas interessada no seu dinheiro, CORRA!

Para uma boa parte das pessoas a minha explicação pessoal é mística e, naturalmente, mais esotérica. Exige, por isso, uma prova de fé ou um ‘pensar fora da caixa’.
Suponhamos que está numa situação complexa há uma semana e todos os dias, de manhã, tira uma carta para o auxiliar a concentrar-se nessa exacta situação e como lidar com ela nesse dia. Cinco em sete desses dias, após baralhar e partir mais do que uma vez a carta que lhe saiu foi a mesma!

Como é isto possível? É como se o tarot o estivesse a forçar vezes sem conta a olhar as coisas de uma determinada maneira… provoca arrepio? A probabilidade estatística disto acontecer é infinitesimalmente pequena e no entanto aconteceu. Como é possível?

O céptico argumentaria que a nossa memória é selectiva e que de alguma forma inconsciente sabes onde está a carta no baralho. Mas então e todas as cartas que se tiraram nas últimas semanas, diariamente, e que são maioritariamente diferentes a cada dia? E, de qualquer forma, se fosse uma ‘selectividade de memória’, não será que o nosso inconsciente nos está a tentar dizer alguma coisa?

Seja como for, sabes no íntimo, que esta repetição exige que tomes uma atenção visceral a este ângulo de análise.

Alguém experiente em tarot, um iniciado ou até um amador estudioso, não ficariam surpresos ou cépticos se lhe contasse esta experiência. Aliás, um bom tarósofo reagiria seguramente com um sorriso e um encolher de ombros, provavelmente comentando «acontece-me tantas vezes».

Membros Golden Dawn defenderam um dia que «As fontes de informação mais poderosas vêm de dentro e o Tarot ajuda o indivíduo a contactar com o seu Eu Superior». É uma espécie de comunicação mística, onde o emissor (Eu Superior ou mente subconsciente) estende ao receptor (o Eu ou mente consciente) uma mensagem (o resultado da tiragem) utilizando um canal (as lâminas ou cartas de tarot) num determinado código (linguagem simbólica agregada às cartas da tiragem e suas nuances) dentro de um contexto específico (a pergunta em causa).

esquema

O nosso Eu utiliza palavras para pensar o mundo físico, em conjunto com todos os outros seres… numa espécie de cosmogonia de «no princípio era o verbo». Tudo está interligado, numa conexão fantasticamente interdependente. Por outro lado, a mente subconsciente vive de símbolos que aprimorados nas cartas de tarot permitem o entendimento entre emissor e um receptor capaz de descodificar a mensagem.

Questionam-me frequentemente porque uns dizem uma coisa e outros outra de uma determinada carta e qual deles está certo… todos estão certos (desde que o façam tarosoficamente): os símbolos significam exactamente o que os símbolos significam para quem recebe a mensagem. Quando eu recebo a mensagem da tiragem que eu fiz, eu sou o receptor habilitado a descodificar o código do emissor, porque este enviou a mensagem para mim. Se outra pessoa recebe uma mensagem numa tiragem que faz é o significado que o código lhe transmite a ela que é válido, pois é ela a pessoa mais habilitada a compreender a mensagem do seu próprio Eu Superior.

Cada um de nós interpreta os símbolos de forma diferente por causa de quem somos, do que sabemos e do que pensamos e passamos e ninguém nos conhece melhor que o nosso Eu Superior para enviar a mensagem correctamente codificada na nossa direcção.

Esta é provavelmente a grande diferença entre o tarósofo, que compreende que o tarot é uma linguagem de comunicação simbólica e o tarólogo que se faz acompanhar de um manual de significados decorado e que não se apercebe que isso se transforma no ruído que dificulta a mensagem.

Em suma, para mim, o Tarot de várias formas cria uma espécie de egrégora própria, uma força espiritual com acesso ao somatório do todo, quase como se fosse um rádio que toca a frequência de uma emissão sem se sintonizar por completo por exigir que o emissor perceba o código utilizado.

É quase caso para dizer… pergunta-te como tu realmente funcionas e perceberás no íntimo como funciona o Tarot!

Mario Portela

Sobre o autor

Mário Portela

Mário Portela

Ligado desde muito cedo ao estudo esotérico e exotérico interligou essa faceta com a Psicologia e outras áreas mais convencionais como a PNL e a Homeopatia Floral. É Guia Kármico, prânico, tarosófico e cristaloterapeuta

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