Antigo Egipto Escolas de Mistérios

Cosmogonia Egipcia

Anabela da Costa
Escrito por Anabela da Costa

Cosmogonia é o termo utilizado para determinar uma ou mais teorias sobre a formação do Universo. A primeira de todas as culturas reconhecida pela academia científica a interessar-se por este estudo e a tentar apresentar material objectivo foi a civilização Egípcia.

O Egito maravilhava-se com o mundo cheio de vitalidade e procuraram sistematicamente desenvolver e compreender Cosmogonias múltiplas, que apesar das diferenças entre as escolas de pensamento, quanto interpretações da realidade, possuíam traços fundamentais comuns entre si.

O Universo para os Egípcios tinha três regiões: o mundo inferior, que era o reino dos mortos; a terra, o reino de toda a criação animada; o céu, que era o reino das divindades Cósmicas, da lua e das estrelas.

A Terra era um disco rodeado pelas águas primordiais, designadas por Nun. O centro da Terra era o Egipto e Nun rodeava ainda o Mundo Inferior e o Céu, ou seja, todo o Cosmos estava envolvido num oceano primordial.


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Como surgiu então, este Mundo?

Podemos detectar a influência de três obras clássicas que levaram a Cosmogonias múltiplas: o Livro das Pirâmides, o Livro dos Sarcófagos, e o Livro dos Mortos do Egito. Existiram ainda outras obras de algum relevo, porém apenas três principais escolas teológicas singraram, inspiradas nas três obras identificadas.  É neste ponto em que as interpretações divergem quanto as relações entre os elementos fundadores do Universo: a Escola de Heliópolis (Grande Escola da Enéade de Heliópolis), a Escola de Hermópolis e a Escola de Mênfis.

A Grande Escola da Enéade de Heliópolis

No Inicio do Universo existia apenas Nun, o oceano primordial onde o Deus de toda a criação, Atum, vagueia sem qualquer preocupação, ocupação ou propósito. Um mundo caótico, inconsciente do seu estado.

Atum dirigiu-se para um lugar elevado nas águas de Nun e colocou-se de pé pela primeira vez. Ao masturbar-se Atum ejaculou, “cuspiu” Chu, o Deus da vida, do ar e da luz, que também simbolizava o princípio masculino activo e Tefnut, a Deusa da Humidade que personificava a água e a verdade e o princípio feminino activo. Atum era hermafrodita sendo simultaneamente pai e mãe deste primeiro casal primordial Divino

Deste casal surgiram Nut, Deusa do Céu e Geb, o Deus da terra. Chu ergueu Nut (o céu) sobre Geb (a terra), e assim formaram a abóboda celeste. Nut e Geb criaram o tempo, a noite e o dia, e quando Geb e Nut se uniam, criavam a noite e autorizavam os homens a ver a beleza do céu estrelado.

Da união entre Geb e Nut nasceram quatro deuses que acasalaram da seguinte maneira: Isis com Osíris e Set com Néftis.

Isis personificava o trono da realeza e simbolizava a natureza, logo, toda a criação. Osíris o lodo fertilizador do Nilo e constituía o modelo para o faraó reinante. Osíris tornou-se Deus da Terra, que governou durante muitos anos com o apoio de Isis, sua mulher.

Set simbolizava o caos e a morte, ou seja, as forças hostis à vida do homem. Néftis é também uma deusa da natureza que se tornaria a guardiã dos mortos.

Set que invejava o estatuto de Osíris como Deus da Terra, convidou-o para um banquete. Durante a celebração, exibiu um Sarcófago e prometeu oferecer a quem coubesse perfeitamente nele. Vários dos convidados de Set experimentaram porém ninguém tinha as medidas certas, uma vez que Set tinha meticulosamente preparado o Sarcófago com as medidas de Osíris. Por fim Osíris, experimenta e entra no Sarcófago, sendo de imediato aprisionado por Set que o atira para as profundezas do rio Nilo.

Isis parte numa demanda para encontrar o seu marido encontra o Sarcófago preso a uma árvore, que logo de seguida o esconde numa plantação de papiros. Set encontra o Sarcófago e furioso esquarteja o corpo em 14 pedaços.

Novamente Isis parte na demanda porém acompanhada da sua irmã Néftis ,em busca de recuperar todos os pedaços do corpo de Osíris. A missão é quase bem-sucedida, porém, aperceberem que o falo (pénis) de Osíris foi sido devorado por um peixe. Para compensar a falta do falo, Isis cria um falo artificial.

Aqui encontram-se várias versões: umas dizem que o falo artificial é de ouro, outras de caules de vegetais . Isis, Néftis e Anúbis  procedem então à prática da primeira mumificação. Ísis transforma-se num milhafre, e graças ao bater das asas, agora sob forma de animal, sobre o corpo de Osíris, realiza uma magia que o ressuscita. Uma vez isto posto, Isis une-se sexualmente a Osíris e deste momento resultou um filho-  Deus Horús. A partir de então, Osíris passou a governar apenas o mundo dos mortos, até que Hórus venceu o seu tio Set numa épica batalha divina.

Cosmogonia da Escola de Hermópolis

Nesta escola o Caos era não apresentado com um vazio ou ausência total de ordem, dado que nele existiam quatro casais de Deuses/Génios: os machos com cabeça de rã e as fêmeas com cabeça de serpentes. Os casais são Noun e Nounet ( Nounet)  personificação do oceano primordial, o espaço antes da criação;  Kouk (Kekou) e Kauket ( Kekout-Keket) personificação da obscuridade que reinava sobre o espaço primordial antes do nascimento do sol;  Houh (Hehou) e Hauhet (Hehet) a água que se alastra e flui procurando o seu caminho, o infinito;  por fim Amon e Amaunet  (Amonet) tudo o que está escondido, Oculto.

Estes Oito Deuses (quatro casais), unem-se para criar um ovo no topo de uma elevação. Este ovo primordial, é a manifestação da união entre os princípios divinos celestes, fora do caos primordial, acabando por fazer emergir o mundo manifestado. Do ovo nasceu , o Deus Sol, que sobe ao Céu para irradiar o mundo com os seus raios benfeitores.

Depois do seu nascimento, os Deuses adoptaram uma aparência visível e cumpriram em conjunto um ritual mágico através do qual fizeram aparecer um lótus. Esta flor abriu-se com um flamejamento de luz e deu origem a um ser divino feminino,  que se uniria com . Desta sua união nasceu Thot, o primeiro nascimento divino.

Três dos casais retiraram-se do mundo visível para se tornarem os guardiões do equilíbrio. Amon e Amonet adaptaram-se à nova ordem e abandonaram Hermópolis seguindo para Tebas.

Cosmogonia da Escola de Mênfis

Combina elementos das escolas anteriores, porém confere ao Deus local Ptah, o papel de criador. Após criado o mundo, usa a sua língua e o coração para gerar Atum.

Este sistema não rejeitava a Enéade de Heliópolis, simplesmente considerava Ptah como criador dessa Enéade. O deus Ptah era também considerado o criador do Ka ou a alma de cada ser.

Por Anabela da Costa

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