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O Esoterismo nos Contos de Fadas – Parte 2

Fernando Glórias
Escrito por Fernando Glórias

A História

Era uma vez uma rainha que estava sentada à janela a cozer, quando picou o seu dedo numa agulha e três gotas de sangue cairam na neve que se tinha acumulado no peitoril cor de ébano da sua janela. Ao olhar para o sangue na neve, disse para si mesma, “Ah, como eu queria tanto ter uma filha que tivesse uma pele branca como a neve, lábios vermelhos cor de sangue, e cabelo preto da cor do ébano”. Pouco tempo depois deste incidente, a rainha dá à luz uma menina com a pele branca como a neve, os lábios vermelhos cor de sangue, e cabelo preto da cor do ébano. Deram-lhe o nome de Princesa Branca de Neve. Depois de dar à luz Branca de Neve, a rainha morre.

Pouco tempo depois o Rei casa de novo, com uma mulher muito bonita, mas muito fútil. A nova rainha possuía um espelho mágico, um objecto animado que respondia a todas as perguntas que lhe eram feitas, e a quem a rainha regularmente perguntava: “Mirror, mirror on the wall/Who is the fairest of them all? – Espelho meu, espelho meu / Existe mulher mais bela do que eu?”, obtendo regularmente a resposta “Vós, minha rainha, sois a mais bela de todas”. Mas quando Branca de Neve atingiu a idade de sete anos, tornou-se tão bela como o dia, e quando a rainha questiona, como de costume, o espelho, a resposta que obtém, não é a do costume mas sim; “Rainha, vós sois realmente bela, é verdade, mas Branca de Neve é mais bela do que vós”. Noutras versões da história o espelho limita-se a afirmar “Branca de Neve é a mais bela”.

A rainha torna-se ciumenta, e ordena a um caçador que leve Branca de Neve para a floresta, e a mate. Como prova de que Branca de Neve foi morta, a rainha exige ao caçador que lhe leve os pulmões e o fígado de Branca de Neve. O caçador leva Branca de Neve para a floresta, mas ao levantar a sua faca para a matar, não consegue concretizar o acto, pois tinha-se apaixonado perdidamente por ela. Em vez de a matar, o caçador deixa-a ir, dizendo-lhe para fugir e se esconder da Rainha. Em seguida, o caçador leva à rainha os pulmões e o fígado de um javali. Estes orgãos são preparados pelo cozinheiro e comidos pela rainha.


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Na floresta, Branca de Neve descobre uma pequena propriedade que pertence a um grupo de sete anões, onde ela descansa. Os anões, compadecem-se dela e dizem-lhe “Se cuidares da casa para nós, cozinhares, fizeres as camas, lavares, cozeres e tricotares, e mantiveres tudo limpo e arrumado, podes ficar connosco, e terás tudo o que quiseres.” Eles avisam-na para ter cuidado e não deixar ninguém entrar enquando eles estão a trabalhar nas montanhas. Entretanto, a Rainha pergunta de novo ao espelho “Quem é a mais bela de todas?” e fica horrorizada ao saber que não só Branca de Neve está viva e de saúde, e a viver com os anões, mas que continua a ser a mais bela de todas.

Por três vezes a rainha se disfarçou e visitou a propriedade dos anões enquanto eles se encontravam ausentes durante o dia, com o objectivo de matar Branca de Neve. Da primeira vez, a rainha disfarçou-se de vendedora ambulante, vendendo coloridos atacadores de espartilhos, conseguindo apertar tanto Branca de Neve até a fazer desmaiar, o que leva a rainha a ir-se embora convencida de que matou Branca de Neve. Porém, Branca de Neve é reanimada pelos anões, quando eles desapertam os laços do espartilho. A seguir, a rainha veste-se como uma velha, e penteia Branca de Neve com um pente envenenado. Novamente Branca de Neve desmaia, mas é novamente salva pelos anões. Finalmente, a rainha prepara uma maçã envenenada e, disfarçada de mulher de agricultor, oferece a maçã a Branca de Neve. Quando Branca de Neve hesita em aceitar a maçã, a rainha corta a maçã ao meio, come a parte branca e oferece a parte vermelha, envenenada a Branca de Neve. Branca de Neve trinca a maçã ávidamente, e imediatamente cai numa profunda letargia. Quando os anões a encontram, não a conseguem reanimar, e colocam-na num caixão de vidro, presumindo que ela se encontra morta.

O tempo passa e um dia um principe, em viagem por aquelas paragens, avista Branca de Neve. Dirige-se para o seu caixão. O principe fica encantado pela sua beleza, e imediatamente se apaixona por ela. Pede então aos anões que o deixem ficar com o caixão. Os criados do principe pegam no caixão para o transportar. Mas ao fazê-lo, tropeçam numas raízes e esse movimento faz com que o pedaço de maçã envenenada saia da garganta de Branca de Neve, acordando-a (noutras adaptações do conto, o principe beija Branca de Neve, acordando-a). O principe declara-lhe o seu amor por ela, e em breve estão a planear o casamento.

A rainha fútil, ainda acreditando que Branca de Neve está morta, pergunta mais uma vez ao espelho quem é a mais bela de todas, e mais uma vez o espelho a desilude quando lhe responde, “Vós, minha rainha, sois realmente bela, é verdade, mas a jovem rainha é mil vezes mais bela do que vós.”

Sem saber que a nova rainha era na realidade a sua enteada, a rainha chega ao casamento, e o seu coração enche-se de terror ao compreender a verdade. Como punição pela sua maldade, são trazidos um par de sapatos de ferro aquecidos e colocados perante a rainha. A rainha é obrigada a calçar os sapatos e a dançar com os sapatos calçados até morrer. (outras versões da história insinuam que ela morre de ataque cardíaco).

(continua…)

Fernando Glórias

Sobre o autor

Fernando Glórias

Fernando Glórias

Após a conclusão da Licenciatura na FCSH da UNL, enveredou por uma carreira de Tradutor Técnico que o levou para indústria petrolífera. Manteve no entanto sempre o gosto pelo esoterismo e a paixão por abordar os assuntos de uma perspectiva diferente. Ao longo dos aos foi aprofundando os seu conhecimentos de esoterismo, através de leituras, participação num projecto de tradução de uma obra de divulgação sobre os Cavaleiros Templários, entre outras actividades.

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