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Os Pensamentos Construtivos – Inédito de Raymond Bernard

Raymond Bernard
Escrito por Raymond Bernard

No decurso do nosso Caminho, compreendemos rapidamente como é importante pensar de uma forma correta e construtiva. A nossa vida é geralmente feita de esperanças e de desejos frustrados até ao dia em que compreendemos que o pensamento é a força fundamental que comanda o nosso destino e dirige a nossa vida. De facto, ele é a causa do nosso sucesso ou do nosso insucesso sobre o plano físico, assim como está na origem de uma saúde forte ou enfraquecida. Na realidade, tudo é condicionado pelos pensamentos ou sentimentos que mantemos em nós. Eis aqui uma verdade que não pertence a um determinado indivíduo ou a um grupo de pessoas, mas ao conjunto da humanidade. Ora, para muitos, esta verdade vital fica somente no plano intelectual e nas discussões estéreis.

Não nos devemos esquecer nunca que o presente tem a sua fonte no passado e que o amanhã será aquilo que dele fizermos hoje. As nossas condições de vida não são devidas ao acaso ou à fatalidade; elas têm a sua origem no nosso espírito e nos pensamentos que aí alimentamos. É impossível pretender ter uma vida feliz, mantendo em nós próprios a ansiedade, a dúvida, a inveja ou outro estado mental negativo. A lei de causa e efeito é universal. Existência e pensamento estão de tal modo ligados que talvez se apliquem mais a este domínio do que a qualquer outro, com mais poder e eficácia. Isto explica que para mudar a vossa forma de viver, o que está ao vosso redor, o vosso estado físico ou qualquer uma das condições desarmoniosas que vos assolam, é-vos necessário, para começar e antes tudo, transformar a vossa maneira de pensar. Por outras palavras, deveis controlar os vossos pensamentos, deveis realizar uma seleção severa e consciente das ideias que permanecem no vosso espírito. Os vossos esforços nesta perspetiva não devem ser esporádicos; se fraquejardes uma vez, fraquejareis sempre. Porém, se realizardes com constância esta escolha, que sabeis vital, em breve a vontade não intervirá mais e o fenómeno do hábito fará o resto.

Os desejos não são essenciais. Somente o pensamento conta e o seu poder de atração é considerável; tal e qual um íman, ele atrai para nós aquilo que corresponde, no mundo material, à sua natureza. Se estais num estado de espírito desequilibrado, não podeis estar nem de boa saúde, nem feliz. Se estais tristonho, invejoso, ciumento, maldoso, encontrar-vos-eis submerso num ambiente semelhante. Estabelecereis na vossa existência aquilo que haveis aceite em vós como uma realidade, à qual os vossos pensamentos dão vida. Se vos recusardes a cultivar melhores disposições, a vossa vida será uma falência sombria, um fardo tanto para vós próprios como para outrem, e isto por vossa própria falha. Se, pelo contrário, aceitardes a partir de hoje, a partir deste minuto, transmutar os vossos pensamentos (e nunca é tarde de mais para o fazer), empreendereis então a mais apaixonante aventura que existe. Vereis, pouco a pouco, a harmonia instaurar-se em vós e, ao vosso redor, as condições deploráveis desaparecer para darem lugar ao equilíbrio e ao sucesso, os problemas fisiológicos de toda a natureza desaparecerão para serem imediatamente substituídos por poderosas condições harmoniosas.

Pode parecer a princípio que esta transformação nos vossos pensamentos vos trará todas as formas de dificuldades. Poder-vos-á parecer, pelo contrário, que tudo corre mal. Não vos fieis nas aparências, por muito desconcertante que isso possa parecer, deveis ver nesse facto um sinal muito encorajador que indica que as coisas mudam e tomam uma outra direção. Mesmo se o vosso mundo inteiro parecer abalado nos seus fundamentos, em razão do vosso novo estado de espírito, deixai-o abalar-se e perseverai! Encontrar-vos-eis de seguida em condições bem mais próximas daquilo que haveis desejado. Não esqueceis jamais que o receio das próprias dificuldades é ele mesmo um pensamento negativo. Sobretudo, não procureis negar as condições desarmoniosas que são atualmente as vossas, mas considerai-as como aparências e recusai-vos a admiti-las como realidades. Não aceitando prestar atenção a estas aparências, retirareis toda a vida ao problema, despojá-lo-eis da substância que lhe dava a sua existência: os vossos pensamentos. Não procureis vencer as dificuldades, querendo lutar contra qualquer coisa, reconhecereis nessa qualquer coisa um valor que não existe na realidade. Afastai-vos simplesmente do problema, expulsai-o do vosso espírito e retirar-lhe-eis toda a vida, de modo que ele começará imediatamente a desagregar-se.


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Certamente é difícil estabelecer uma classificação muito clara de pensamentos positivos e de pensamentos negativos. Uma tal classificação é, aliás, sem importância. Qualquer pensamento que não tenha um carácter construtivo é um pensamento negativo. Isto é assim, por exemplo, com os pensamentos de insatisfação, de crítica, de despeito, de ciúme, de queixume, de doença, de acidente, e com todos os pensamentos pessimistas ou restritivos. Mas o vosso coração dir-vos-á sempre se um pensamento é salutar ou nefasto e, mesmo se o vosso egoísmo se esforçar por vos enganar a este respeito, o vosso ser interior guiar-vos-á.

A partir deste instante, reagi energicamente e estabelecei em vós uma nova forma de pensamento de uma frequência vibratória mais alta. Não estareis assim mais recetivos às vibrações negativas e colhereis, em cada dia, os frutos dos vossos pensamentos construtivos e bons. Não vos perguntareis mais acerca do que o amanhã será feito, porque, do mais profundo de vós próprios, confiareis na vida.»

Por Raymond Bernard

Agradecimento ao Alexandre Gabriel pela sua gentil tradução do texto original de Francês para Português de Portugal e disponibilização do artigo à Cerberus Magazine

Sobre o autor

Raymond Bernard

Raymond Bernard

Raymond Bernard nasceu a 19 de Maio de 1923, na região de Isère (França), e passou pela transição a 10 de Janeiro de 2006. Esoterista, escritor, humanista e responsável por vários movimentos iniciáticos, dedicou a sua vida à perpetuação da Tradição no mundo de hoje. No início da década de 1940 entrou em contacto com a Antiga e Mística Ordem Rosacruz, AMORC, da qual veio a ser Grão-Mestre para a França e países francófonos. (Todos os direitos reservados Alexandre Gabriel)

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